Pequenos registros
do dia a dia

Não são grandes histórias. São apenas coisas que notei: a forma como a luz da tarde pinta as paredes brancas, o jeito de falar de quem vende pão, o som do vento que entra pela janela aberta. Anoto para não esquecer.

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Por que anoto o que é pequeno

Há anos vivo em uma pequena vila no interior de Portugal. Cheguei por acaso, para um trabalho que duraria alguns meses, e acabei ficando. O que me segurou não foram as paisagens grandiosas nem as festas. Foi o jeito como o tempo passa aqui — devagar, com espaço para notar detalhes.

Comecei a escrever estas notas em cadernos pequenos que carrego no bolso. Não são diários completos. São fragmentos: uma frase que ouvi, uma imagem que ficou na cabeça, o cheiro de uma rua depois da chuva. Com o tempo percebi que esses pedaços pequenos dizem mais sobre o lugar do que qualquer descrição longa.

Não procuro sentido profundo em tudo. Às vezes é só o jeito como o padeiro dobra o papel do pão, ou como a luz da manhã bate na parede da igreja. Anoto porque gosto de guardar. E porque, quando releio depois de semanas, essas coisas voltam vivas.

Se você também gosta de prestar atenção nas coisas miúdas, talvez reconheça algo aqui.